A Chegada
E não é que nasci para dar errado? Pode
até parecer meio estranho fazer uma afirmação dessas, mas acho que é isso
mesmo.
Segunda
filha em um número de quatro, meu pai, depois de haver se encantado com a primeira
filha, na segunda tentativa, claro, esperava, desejava, ansiava um menino.
Antonio Carlos foi o nome escolhido para mim e não se cogitava que pudesse
nascer mais uma menina, eu, mas foi o que aconteceu.
O
parto para o nascimento da minha irmã, primeira filha, demorou metade de um
dia, assim, de madrugada, na casa de minha avó, quando começou a sentir as
dores prenunciando minha chegada, minha mãe não se preocupou em comunicar a
ninguém. Pensou consigo que, quando amanhecesse o dia, informaria à minha avó e
teriam ainda muito tempo até que eu nascesse.
Quando
o céu começou a se tingir de amarelo anunciando o nascer do dia, mamãe
levantou-se e chamou minha avó. Ela, mais que depressa se levantou, acendeu o
fogo no fogão a lenha, colocou bastante água para ferver e, antes ainda de coar
o café, saiu.
Diz
minha mãe que tal era a minha vontade de nascer que nem deu tempo de se chamar
a parteira, isso mesmo, parteira porque era assim que a maioria de nós nascia
naquele época. O fato é que quando a parteira chegou, eu já havia escorregado
da barriga da minha mãe e estava lá na cama ligada a ela pelo cordão umbilical.
Muito magrinha, desengonçada, com “cara de joelho” como todo recém nascido. Quando
fui apresentada ao meu pai, ele me olhou um pouco decepcionado e disse que eu
me parecia com uma “perereca”. Poxa, perereca? Lá isso é comparação a se fazer
com uma criança tão bonitinha e que estava com tanta vontade de conhecer o
mundo aqui fora? Acho que foi aí que comecei
a dar errado.
Como
esperavam o Antonio Carlos, nem nome para mim tinham. Resolveram então me dar
um nome composto, formado pelo nome de duas avós. Sabe que até gosto do meu
nome? Ana Maria, muito prazer! E então, devidamente nomeada, iniciei a minha
vidinha por aqui.